.Adorei a trilogia «Indiana Jones». Acho que é um dos melhores exemplos de cinema de entretenimento, realizados por Steven Spielberg e produzidos por George Lucas. Na altura os filmes captavam o espírito das séries de sábado à tarde dos anos 40, com "gags" e situações excepcionais. Os filmes foram de tal forma famosos que Harrison Ford, o protagonista, jurou nunca mais interpretar a personagem Indiana Jones, sob o pretexto deste estar a condicionar a sua carreira. Fez bem, na minha opinião.
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Até porque, já se esperava, isso não seria para sempre. Na barreira dos 20 anos volvidos sobre a primeira produção («Raiders of the lost ark»), Indiana Jones voltou ao cinema. Mais velho, mais calado e menos real, claro, à boa moda do cinema moderno.
Comecemos pela história: depois dos nazis chegam os soviéticos, determinados a vencer uma guerra fria que teme em não acabar. Em 1957 Indy e o jovem rebelde Mutt estão na pista daquela que pode vir a ser uma das mais espectaculares descobertas arqueológicas da história: a caveira de cristal de Akator, um lendário objecto de fascínio, superstição e terror. Mas os ditos agentes russos também estão na perseguição. A liderá-los está a gélida e devastadoramente bela Irina Spalko, cuja unidade militar de elite percorre o globo em busca da caveira de cristal, que acreditam ser capaz de os ajudar a dominar o mundo.
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.A pergunta que se coloca é: valeu a pena esperar? A resposta é como o próprio filme: redundante. Sim e não. Sim, porque ver Indiana Jones é sempre um momento fabuloso. É Spielberg, com momentos hilariantes e ideias irónicas (como a interminável fobia de Indy às cobras ou o logotipo da Paramount na abertura).
E não, porque o fio da história é um fiasco. «O reino da caveira de cristal» é uma aventura "engraçada" que nos prende até ao fim. Mas não tem nem um terço da consistência e profundidade dramática dos seus antecessores. Spielberg e Lucas lembraram-se de meter o seu «herói da prateleira» numa aventura que envolve extra-terrestres e em que só ficaram a faltar tubarões... muito mau!
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Se a era digital trouxe vantagens ao cinema, também é verdade que as tirou. Para mim, Indiana Jones era o que era porque sentíamos que era humano, de carne e osso, a viver aventuras arriscadas, possíveis mas credíveis.
Neste 4º filme o que acontece é que se perdeu tudo isso. Indiana passou a ser um super-heroi, que sobrevive a uma explosão nuclear a 500 metros e a três cataratas do tamanho do Niagara. Isto sem contar com os milhares de tiros, centenas de saltos e dezenas de facadas. O advento digital descredibilizou Indiana Jones, transformando-o numa marioneta dos processadores.
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Como se isso não bastasse, Indiana quase não fala e a parte final do filme é, claramente, uma colagem de conceitos de «Tomb Raider», o jogo de vídeo que celebrizou a heroína Lara Croft. Atrevo-me a dizer que o templo final (bem como as pirâmides maias) são uma cópia do jogo «Tomb Raider», de 1996, mais precisamente de uma parte do gigantesco nível «Tomb of Qualopec». Se preferirem, joguem à parte três do «Tomb Raider the Last Revelation» e confirmem se quiserem. No panorama visual deste novo filme não há nada de novo. O arqueólogo descobre o que nós já havíamos visto há 8 anos numa "PlayStation"...
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.Em suma: «The Kingdom of The Cristal Skull» é um grande filme de acção e aventura para os mais novos, já que mostra um novo «Indiana Jones» para uma nova geração. E claro, o "cheirinho" a sequela, com Shia LaBeouf.
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Quanto a mim, que ainda me lembro do que senti quando vi «Raider`s» pela primeira vez, este filme não presta, Indy perdeu o brilho e a identidade. Já para não falar da credibilidade.
É um mero blockbuster e nada mais. Uma pena.
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Filipe Matias
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