Quinta-feira, Janeiro 08, 2009 

Suspensão temporária de inserção de conteúdos

Saudações a todos os visitantes do Blog;

Como sabem, há várias semanas que o blog do CineRcl está com actividade reduzida.
Por motivos profissionais a inserção de conteúdos está temporáriamente suspensa, embora os textos de arquivo ainda possam ser consultados.

Recordamos todos os visitantes que o CineRcl continua no ar diariamente na antena da RCL (99.0FM - www.rcl99.fm)

Com votos de bons filmes;
A equipa CineRcl

Terça-feira, Novembro 11, 2008 

Quantum de quê?

.
Em equipa que ganha não se mexe. Esta é a máxima da última estreia envolvendo o carismático personagem criado por Ian Fleming. Se “Casino Royale” foi uma viragem do estilo que, durante décadas, caracterizou as películas de James Bond, este novo “Quantum of Solace” mantém a estética e diferença que marcaram os trabalhos anteriores. Prometi a mim mesmo não escrever uma critica sobre o filme, porque estaria a repetir o que já escrevera sobre “Casino Royale”. Por isso, limito-me a dizer que achei o filme uma clara continuação do título anterior e que, por isso, não traz nenhuma nova inovação.
.
O único destaque vai mesmo para a excelente qualidade das cenas de acção, que, pessoalmente, considero das melhores dos últimos anos (dentro da série Bond, claro). A perseguição inicial é uma maravilha, algumas cenas de barco também estão bem idealizadas e os planos de câmara são ousados. Gostei de um “piqué” numa das lutas, em que a câmara acompanha a queda dos personagens por um painel de vidro.
.
Fora isso, o vilão é uma mosquinha morta comparada com outros vilões de Ian Fleming, a música não é tão vibrante como a do “Royale” e os cenários ainda não chegam perto de “GoldenEye”. A propósito: o que aconteceu ás “Bond Girls”?? Hummm… Apercebi-me que os “fãs” de 007 acharam o filme medíocre. Eu também. Mas pelo menos gostei das cenas de acção…
.
Filipe Matias

Quarta-feira, Outubro 29, 2008 



O mundo dos videojogos não é compatível com a indústria cinematográfica. Eu tento sempre acreditar que a sinergia é possível, mas a cada dia que passa, a cada novo projecto que sai para as salas, vejo que tal nunca será possível. A recente estreia de «Max Payne» foi o exemplo mais clamoroso. Talvez a culpa seja dos próprios jogadores, que tendo experimentado a interactividade dos jogos (que permite uma maior profundidade narrativa – entre 6 a 10 horas de história, ao passo que um “blockbuster” tem forçosamente de comprimir a história em hora e meia), acabem por ir às salas com as expectativas demasiado elevadas. Tem sido sempre assim nas últimas adaptações cinematográficas de êxitos interactivos. Lembro-me de «Final Fantasy», «Tomb Raider», «Resident Evil» e outros, que foram barbaramente usados como “exploit” comercial que acabou por mandar às urtigas as histórias e as personagens.
.
Não se quer dizer neste texto que «Max Payne», a última adaptação de videojogo, é um mau filme, até gostei do ambiente “noir” e “rotten” em que somos mergulhados. Mas é uma verdade que não chega nem perto da profundidade narrativa dos videojogos que o inspiram. È um facto que, desde a introdução dos gráficos animados 3D nas plataformas de jogos (com um vibrante aplauso para as inovadoras “Saturn” (Sega) e “Playstation” (Sony), estas sempre tentaram incluir estruturas em tudo semelhantes ao cinema. A busca dos programadores foi sempre no sentido de aproximar a experiência do jogador à experiência de ir ao cinema (é disso um exemplo o popular “Metal Gear Solid”, de 2001). Quanto aos cineastas, foi sempre um calcanhar de Aquiles não conseguir aproximar a experiência cinematográfica da experiência jogável. Não nos admiramos, por isso, quando vemos que os filmes mais ousados nesse capítulo, que dão um “flavor” de videojogo às cenas (como o primeiro “Matrix”) tenham sido estrondosos êxitos de bilheteira.
.
Cada vez mais sou da opinião que nunca sairá um filme tão bom como o jogo que o inspira, e vice versa. São mundos diferentes e não vale a pena alimentar ilusões. A nova geração de consolas, ainda que muito distante da realidade, já nos consegue oferecer algumas imagens de inusitada beleza, em que por um momento o nosso córtex visual fica baralhado (imagem real? Videojogo?). Já tenho visto muito bom jogo com enredo e atmosfera de filme que é um espanto (o “Fahrenheit” da Atari, por exemplo), ao mesmo tempo que tenho visto muito bom filme que dava, sem dúvida, um bom jogo. Mas tal nunca será possível, porque se os filmes falham as adaptações, também é uma verdade que os jogos falham os filmes em que se inspiram (“The Matrix Game” e “Chicken Run”, por exemplo…).
.
Parece que o melhor é mesmo viver a experiência virtual e descomprimir com o grande écran, isto até que apareça um estúdio (ou um gabinete de marketing) que pense de uma vez por todas ser fiel ao projecto que o inspira e não aos números de popularidade (e logo, vendas) que o jogo registou. A bem da diversidade!
.
Filipe Matias

Quarta-feira, Setembro 24, 2008 

Imperdível



Está prestes a chegar às salas americanas (e brevemente às salas europeias) a tão aguardada adaptação cinematográfica do popular videojogo "Max Payne". Sendo eu um fã assumido do videojogo, mal posso esperar para ver o resultado final deste título que mistura vários estilos narrativos e, pelo primeiro trailer disponibilizado online, uma larga variedade de efeitos especiais muito fieis à génese do jogo criado pelos estúdios Rockstar.


É violento, duro, com um toque "noir" e um cheirinho a sobrenatural. É a viagem à mente de um polícia que perdeu tudo em nome de uma detenção. Mark Wahlberg e Mila Kunis são os cabeças de cartaz para as duas principais personagens: Max Payne e Mona Sax.


Esta é a morada do site onde já é possível ver o trailer oficial: http://www.maxpaynethemovie.com/

Segunda-feira, Setembro 08, 2008 

Reentré com 3D


O verão está a dar os últimos remates neste jogo de 2009. O regresso ao trabalho e consequente regresso ás salas marcam o arranque das crónicas (ou se preferirem, criticas) aqui da equipa do CineRcl.


No ínicio de Setembro chegou às salas portuguesas o aguardado blockbuster "Journey to the center of the Earth", com Brendan Fraser e Anita Briem. O filme, realizado por Eric Brevig e produzido pela Warner Bros, é claramente um "summer movie", cuja única pretensão é entreter o espectador. Existem inúmeros erros de continuidade ao longo do filme, que não chega nem perto do esplendor oferecido por Julio Verne no seu livro homónimo.


O titulo é um regresso à linhagem de aventuras, simples e descomplicadas, de hora e meia de duração, com visuais alucinantes e momentos de tensão de nos fazer pular da cadeira. O filme é claramente fraco no plano narrativo, embora eu aconselhe uma ida à sala. Porquê? A culpa é do 3D! «Viagem ao Centro da Terra» foi talvez o filme visualmente mais impressionante que vi em toda a minha vida (em 3D, claro). A captura realizada de propósito para as 3 dimensões compensou plenamente, e ver o filme com os óculos especiais é uma experiência única! O tamanho da tela, a profundidade dos cenários, as gotas de água, os pássaros... visualmente incrivel, narrativamente decepcionante.


Filipe Matias

Sexta-feira, Julho 25, 2008 

Férias


E como a maioria do nosso Portugal (e respectivas comunidades no estrangeiro), também o «CineRcl» encerra neste mês de Agosto para umas férias que, se espera, sejam cheias de cinema!

No final do mês voltamos à escrita, com mais colunas, fotos, videos, trailers e, esperemos, o tão prometido arquivo semanal dos nossos programas para que possa fazer download e ouvir quando desejar!
.
Com votos de boas férias;
.
A equipa CineRcl
Filipe Matias
Paula Gonçalves
Ruben Almeida
Mário Ventura

Sábado, Julho 12, 2008 

The Chronicles of Narnia: Prince Caspian


Chega esta semana às salas portuguesas a segunda parte desta decliciosa saga mágica. Confira o trailer oficial!

Quinta-feira, Junho 26, 2008 

Alteração de Conteúdos

Depois de mais de 10 anos de emissão, o CineRcl vai sofrer, já a partir do próximo dia 5 de Julho, a sua mais importante alteração.
.
Os programas de sábado abandonarão a temática das bandas sonoras e serão inteiramente dedicados a livros de cinema. Todos os sábados a equipa do programa dar-lhe-à a conhecer um novo livro sobre cinema que esteja à venda nos escaparates. Autores nacionais e internacionais juntam-se num "CineRcl" diferente que o convidamos a descobrir.
.
Dessa forma, a programação diária do CineRcl será:
.
Segunda-feira: Noticias
Terça-feira: Filme de culto
Quarta-feira: DVD
Quinta-feira: Estreias nacionais
Sexta-feira: Cartaz em exibição na zona oeste
Sábado: Livros cinematográficos
.
Com votos de que a nova temática seja do seu agrado, despeço-me com um "até breve";
Filipe Matias

Segunda-feira, Junho 23, 2008 

Absofuckinglutely!


O cenário é o mesmo, as personagens também, e a história... bem, essa sempre foi a mesma ao longo de oito anos da série, não é verdade? Mas "Sexo e a Cidade" convence por isso mesmo. Por não mudar substancialmente, por conseguir manter-se fiel ao espírito daquelas quatro mulheres e dos seus relacionamentos. Não é a nossa vida assim também?
O filme não poderia ser diferente. São quatro episódios num só, let's say. Dá para rir, dá para chorar (nunca se deixa uma amiga sozinha na passagem de ano!), enfim, dá para os fãs se animarem com o regresso das quatro amigas nova-iorquinas, ainda que só por mais de hora e meia.
Casamento, filhos, traição, desilusões, carreira podiam ser as palavras-chave deste filme. Mas transcende um pouco esses conceitos. Vestidos e sapatos de marca à parte, é a essência do mundo feminino espelhado em cada take, é Nova-Iorque ali mesmo à esquina, como se estivéssemos em casa.
Ideal para ver com um grupo de amigas, muita pipoca (com manteiga light, claro!) e falatório à mistura!

Paula Pinto Gonçalves

Segunda-feira, Junho 16, 2008 

Um acontecimento indiano


Se o único indiano que conhece é a personagem "Apu" da série «The Simpsons» ("Thank you! Come Again!"), então tem de descobrir outro indiano que diz o mesmo com uma câmara.
M. Night Shyamalan é um nome facilmente reconhecido por muitos espectadores, sobretudo por ter sido o realizador do popular «o Sexto Sentido». Capaz do melhor e do pior, este cineasta cujo CineRcl já teve o privilégio de entrevistar, continua a ser um mestre em temáticas do oculto e do sobrenatural.

O seu novo filme, «o Acontecimento», é uma boa peça de entretenimento, com uma ideia interessante e um ambiente claustrofóbico delicioso para os fãs do género. O elenco é forte, encabeçado por um Mark Wahlberg inspirado e um "rompante" John Leguizamo.
.
Como habitualmente na sua cinematografia, tudo é filmado com paixão, todos os pormenores são vistos, todos os sons são gravados. A propósito de sons, houve quem se queixasse de ter visto várias vezes microfones da rodagem nos planos. Eu não vi nenhum, mas segundo o portal "Cinema2000" isso tem uma explicação: «A maior parte da película que é utilizada para filmar costuma ter mais imagem do que aquela que se pretende mostrar. É o projeccionista que, na última fase, deve calibrar a máquina de projecção, enquadrando o filme de forma a que este não exiba o que não foi feito para ser visto. Há cineastas que filmam tapando a área de excesso na câmara, o que força o projeccionista a expandir correctamente, pelo que no ecrã aparece uma área a negro. A razão mais importante para o excesso de imagem é porque esta pode ser usada posteriormente na transferência de vídeo para as versões "fullscreen", com pouca ou nenhuma perda dos enquadramentos originais feitos pelo realizador. O excesso de imagem e a questão dos microfones podia ser resolvido na fase de pós-produção do filme, com a criação de cópias já com a área total destinada a ser exibida, mas isso é dispendioso e demasiado elaborado para um problema que pode ser simplesmente resolvido por um projeccionista enquadrar e tratar correctamente um filme, demonstrando tanta preocupação com esse aspecto de exibição como aquele que deve ter para não vermos um filme desfocado», lê-se no popular site.

Em suma: bom filme, com génese interessante e bom fundo dramático, capaz de proporcionar várias interpretações a quem o vê. Eu chamar-lhe-ia um "eco-thriller", que mistura todas as modernas paranóias da humanidade: terrorismo, ambiente e alienação. Boa musica como sempre e bons desempenhos. Além disso, Shyamalan inova a nível pessoal, oferecendo novos planos e ângulos de câmara que nunca havia usado. Campanhas de marketing à parte, «o Acontecimento» é um bom filme. Não é genial, mas é recomendado.

Filipe Matias

Segunda-feira, Maio 26, 2008 

Indiana Croft?

.
Adorei a trilogia «Indiana Jones». Acho que é um dos melhores exemplos de cinema de entretenimento, realizados por Steven Spielberg e produzidos por George Lucas. Na altura os filmes captavam o espírito das séries de sábado à tarde dos anos 40, com "gags" e situações excepcionais. Os filmes foram de tal forma famosos que Harrison Ford, o protagonista, jurou nunca mais interpretar a personagem Indiana Jones, sob o pretexto deste estar a condicionar a sua carreira. Fez bem, na minha opinião.
.
Até porque, já se esperava, isso não seria para sempre. Na barreira dos 20 anos volvidos sobre a primeira produção («Raiders of the lost ark»), Indiana Jones voltou ao cinema. Mais velho, mais calado e menos real, claro, à boa moda do cinema moderno.
Comecemos pela história: depois dos nazis chegam os soviéticos, determinados a vencer uma guerra fria que teme em não acabar. Em 1957 Indy e o jovem rebelde Mutt estão na pista daquela que pode vir a ser uma das mais espectaculares descobertas arqueológicas da história: a caveira de cristal de Akator, um lendário objecto de fascínio, superstição e terror. Mas os ditos agentes russos também estão na perseguição. A liderá-los está a gélida e devastadoramente bela Irina Spalko, cuja unidade militar de elite percorre o globo em busca da caveira de cristal, que acreditam ser capaz de os ajudar a dominar o mundo.
.
.
A pergunta que se coloca é: valeu a pena esperar? A resposta é como o próprio filme: redundante. Sim e não. Sim, porque ver Indiana Jones é sempre um momento fabuloso. É Spielberg, com momentos hilariantes e ideias irónicas (como a interminável fobia de Indy às cobras ou o logotipo da Paramount na abertura).
E não, porque o fio da história é um fiasco. «O reino da caveira de cristal» é uma aventura "engraçada" que nos prende até ao fim. Mas não tem nem um terço da consistência e profundidade dramática dos seus antecessores. Spielberg e Lucas lembraram-se de meter o seu «herói da prateleira» numa aventura que envolve extra-terrestres e em que só ficaram a faltar tubarões... muito mau!
.
Se a era digital trouxe vantagens ao cinema, também é verdade que as tirou. Para mim, Indiana Jones era o que era porque sentíamos que era humano, de carne e osso, a viver aventuras arriscadas, possíveis mas credíveis.
Neste 4º filme o que acontece é que se perdeu tudo isso. Indiana passou a ser um super-heroi, que sobrevive a uma explosão nuclear a 500 metros e a três cataratas do tamanho do Niagara. Isto sem contar com os milhares de tiros, centenas de saltos e dezenas de facadas. O advento digital descredibilizou Indiana Jones, transformando-o numa marioneta dos processadores.
.
Como se isso não bastasse, Indiana quase não fala e a parte final do filme é, claramente, uma colagem de conceitos de «Tomb Raider», o jogo de vídeo que celebrizou a heroína Lara Croft. Atrevo-me a dizer que o templo final (bem como as pirâmides maias) são uma cópia do jogo «Tomb Raider», de 1996, mais precisamente de uma parte do gigantesco nível «Tomb of Qualopec». Se preferirem, joguem à parte três do «Tomb Raider the Last Revelation» e confirmem se quiserem. No panorama visual deste novo filme não há nada de novo. O arqueólogo descobre o que nós já havíamos visto há 8 anos numa "PlayStation"...
.
.
Em suma: «The Kingdom of The Cristal Skull» é um grande filme de acção e aventura para os mais novos, já que mostra um novo «Indiana Jones» para uma nova geração. E claro, o "cheirinho" a sequela, com Shia LaBeouf.
.
Quanto a mim, que ainda me lembro do que senti quando vi «Raider`s» pela primeira vez, este filme não presta, Indy perdeu o brilho e a identidade. Já para não falar da credibilidade.
É um mero blockbuster e nada mais. Uma pena.
.
Filipe Matias
.

Quarta-feira, Maio 14, 2008 

Não sei explicar, não percebi e não gostei!

Antes de começar a falar de «Inland Empire» gostava de dizer isto: normalmente um "road movie" é feito com personagens belas e jovens, que viajam a alta velocidade. Quando David Lynch realizou «The Straight Story», uma espécie de "road movie", decidiu fazê-lo ao contrário, ou seja, a história de um velhinho que atravessa os Estados Unidos em cima de um trator...
Por este exemplo se vê que os filmes de David Lynch são um género próprio, não convencional e abstracto. São únicos, diferentes, ousados, perturbadores e desconcertantes. Ao entrar na sala de cinema (ou ao colocar o disco no leitor de BluRay) já sabemos, em principio, o que nos espera.
«Twin Peaks» teve o dom de ser "acessível". «Mulholland Drive» obrigou a vários visionamentos para se poder perceber onde é que Lynch queria chegar. Mas era minimamente compreensível. Eu até consegui gostar de «Mulholland Drive», quer pela atmosfera que tinha quer pelas duas brilhantes actrizes que povoaram a história.
.
Foi pois, com grande expectativa, que vi «Inland Empire», o seu último filme. Constatei, de imediato, que se tratava de um filme de David Lynch: os ambientes, o som, as personagens enigmáticas, os planos de câmara descentrados e loucos e, claro, a sua actriz favorita: Laura Dern.
Mas afinal o que é «Inland Empire»? Alguém percebeu alguma coisa do filme? Que eu saiba os filmes devem oferecer sempre uma viagem ao seu público e provocar mudanças nas personagens. É para isso que pagamos os 5 euros na sala! Para ver o personagem A ser desencadeado pelo evento B, enfrentar o antagonista C e mudar a sua forma de ver o mundo, acabando como personagem D.
Sempre foi e sempre será essa a essência do cinema: personagens credíveis em situações que se PERCEBAM!
Em vez disso David Lynch chama "estúpido" ao seu público, por este não perceber a mostra orgásmica de imagens que não têm qualquer lógica ou seguimento (houve um argumento escrito, ao menos?)
.
Com «Inland Empire» senti que perdi 3 horas da minha vida a ver a loucura interior de um realizador, perdido algures numa narrativa labiríntica. Lynch faz filmes à sua maneira, claramente virados para a sua sala de estar...
O filme é uma descontrução sem nexo, sem orientação, de um mundo surreal e de uma personagem que fala pouco. Os eventos decorrem sem linearidade ou lógica. Eu, confesso, não percebi nada do filme, reconhecendo que escrever uma crítica sobre ele é quase impossível.
«Inland Empire» é como um sonho: vivemo-lo e depois esquecêmo-lo. Quando nos voltarem a falar dele só poderemos dizer "gostei" ou "detestei". No meu caso aquilo foi como um pesadelo!
A meio do filme apetece pular para o écran, agarrar o pescoço da personagem e gritar: "Fala! Desembucha! Explica-me isto, isto e aquilo! Estou farto!". Não obtendo respostas, somos forçados a continuar a olhar para um bando de prostitutas a dançar numa sala! Ou a olhar para uma família de coelhos, uma velha com os olhos tortos e um "detective malhado" que em 34 minutos apenas diz «ele bateu-lhe?».
.
Eu não chamaria a «Inland Empire» um filme, mas antes um «objecto», feito sem respeitar as mais elementares regras do cinema.
Última nota: David Lynch afirmou repetidas vezes que o digital era a sua nova paixão. Eu discordo. Perderam-se muitas densidades e profundidades que os seus filmes tinham.
Acredito que este filme tenha os seus fãs, sobretudo quem goste de ver algo e não perceber nada!
.
E eu que até gosto do estilo de David Lynch... Adorei «Mulholland Drive» e não desgostei de «Twin Peaks». Agora em «Inland Empire» só gostei do título e de, claro, Jeremy Irons, sempre brilhante.
A maioria dos "inteléctualóides" diz que este filme é arte. Para mim é um nojo!
.
Filipe Matias

Sobre o CineRcl

  • Mantido Por Filipe Matias
  • De Vila Franca de Xira / Lourinhã / Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Jornalista e amante de automoveis antigos e clássicos, sempre sem esquecer a modernidade e os novos exemplares que chegam à estrada...
Sobre o CineRcl